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VACINAS PARA VIAJANTES
Viajantes constituem um grupo de pessoas com riscos particulares de
aquisição de doenças infecciosas. As indicações de vacinação para
viajantes podem variar com a idade (crianças, adultos e idosos), o local
da visita, o tempo de permanência, a época do ano, o meio de transporte,
os hábitos locais, o tipo de atividade a ser desenvolvida (negócios,
estudo, turismo, exploração, etc.) e até mesmo o local de onde provém.
Também existem diferentes recomendações em caso de gravidez ou
imunossupressão, seja adquirida ou induzida.
O calendário vacinal oficial brasileiro inclui a maioria das vacinas
indicadas para os viajantes, principalmente para crianças (sarampo,
caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, tuberculose,
poliomielite, hepatite B, Haemophilus influenzae tipo B - Hib). Caso
haja necessidade, é recomendável antecipar algumas vacinas, desde que
viável, como por exemplo para crianças que vão para áreas com altas
taxas de sarampo podem receber a vacina monovalente a partir dos 6 meses
de idade, e a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) a partir dos
12 meses de idade.
Adultos e idosos devem permanecer atentos e em dia com as doses de
reforço, que, para a maioria das vacinas, é a cada 10 anos. Devem
verificar a vacinação contra hepatite B e tétano ou dupla adulta (dT).
Também devem verificar a vacinação contra febre amarela, indicada para
várias áreas de circulação do vírus. Alguns países exigem a apresentação
do certificado de validade internacional para vacinação contra febre
amarela, fornecida pelos serviços de saúde de portos e aeroportos, com
validade de 10 anos.
Outras vacinas são recomendadas de acordo com o destino do viajante. Por
exemplo, a vacina contra encefalite japonesa B é recomendada para
aqueles que se dirigem para os países do extremo oriente; a vacina
contra meningite meningocócica A + C é recomendada para aqueles que se
dirigem para a região sub-saárica da África, conhecida como "cinturão da
meningite", e exigida legalmente pela Arábia Saudita para os peregrinos
que vão a Meca e Medina; a vacina contra febre tifóide é indicada para
os viajantes que vão circular por áreas em que a qualidade da água e dos
alimentos são precários.
A vacina contra varicela (catapora) pode ser administrada a partir de 12
meses de idade sendo recomendada para qualquer viagem, para qualquer
localidade, principalmente as de tempo prolongado.
A vacina contra gripe (influenza) é recomendada para todas as pessoas a
partir dos 6 meses de idade quando a viagem se der durante a temporada
de gripe, geralmente do final do outono ao início da primavera do país
de destino juntamente com a vacina contra pneumococo, no caso dos
idosos. Surtos de influenza têm sido registrados em navios de cruzeiros,
muitos deles de luxo.
A vacinação profilática pré e pós-exposição contra raiva é recomendada
para determinados países da África e do sul e sudeste da Ásia onde a
raiva canina é comum (por exemplo na Tailândia, onde aproximadamente 6%
dos cachorros de rua são portadores do vírus da raiva) e a
disponibilidade de profilaxia pós-exposição muitas vezes é de difícil
obtenção e de má qualidade. Mas não podemos esquecer que outros animais
como gatos, bovinos, cavalos, morcegos, etc., também são transmissores
do vírus da raiva. Esses animais podem ser encontrados em locais urbanos
(como os cães e os gatos), rurais (bovinos e cavalos) ou selvagens
(morcegos), sugerindo a vacinação de veterinários, assistentes e
estudantes de medicina veterinária, fazendeiros, criadores de animais
(domésticos ou silvestres), todos que lidam com animais que são
passíveis de serem portadores do vírus da raiva. Exploradores, guias e
turistas dos chamados ecoturismos devem obter a vacinação pré-exposição
contra raiva por terem grandes chances de contato com o vírus pela
grande variedade e número de animais selvagens dessas regiões. O morcego
é o principal portador do vírus da raiva e pode transmiti-lo por
mordidas, que podem ocorrer sem mesmo serem notadas, e também pelas
fezes, o que torna o ambiente escuro e úmido de cavernas um importante
local de exposição.
Por se tratar de uma doença transmitida via alimentos e água
contaminada, recomenda-se a vacinação contra hepatite A não apenas para
viajantes, para dentro ou fora do Brasil, como também para trabalhadores
e estudantes que almoçam em refeitórios ou locais como lanchonetes e
bares, ou mesmo alguns restaurantes que por vezes têm pouca higiene. O
próprio deslocamento de um bairro para outro dentro de uma mesma cidade
pode significar risco de exposição ao vírus da hepatite A, devido as
diferentes condições de higiene locais. Foi realizada uma pesquisa na
Faculdade de Medicina da UNICAMP e verificou-se que 80% dos estudantes
estavam desprotegidos contra a hepatite A. Também se indica a vacinação
para crianças que passam o dia em creches, lancham nas escolas ou ficam
sob cuidados de pessoas que vivem em áreas endêmicas e que muitas vezes
podem transmitir o vírus da hepatite A. Quanto maior a idade em que essa
doença é adquirida, maior é a gravidade do quadro.
A vacina contra a cólera e a diarréia causada por ETEC - Escherichia
coli ENTEROTOXIGÊNICA é recomendada para a imunização ativa de adultos e
crianças que estarão visitando áreas com uma epidemia instalada ou
prevista ou que permanecerão por período prolongado em áreas em que há
risco de infecção por cólera. A vacina atualmente comercializada no
Brasil protege tanto contra a cólera como contra a diarréia causada por
ETEC, sendo então também recomendada para Imunização ativa de adultos e
crianças que estarão visitando áreas de grande risco de diarréia causada
por Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC), uma das causas mais comuns
da "diarréia dos viajantes".
A maioria das infecções por cólera afeta pessoas que vivem em áreas onde
o cólera é endêmico. Nessas áreas estão incluídos principalmente os
países de poucos recursos, particularmente aqueles na Ásia e na África,
mas também na América Central e do Sul. Muitas outras infecções de
cólera ocorrem após guerras ou desastres naturais como o Tsunamis de
dezembro de 2004, como resultado de saneamento inadequado, isto é: falta
de água própria para o consumo, uso de água contaminada na preparação de
alimentos e na lavagem de utensílios.
Os viajantes devem sempre permanecer atentos; principalmente porque as
áreas de alto risco para a infecção por cólera estão sendo mais
visitadas por grupos especiais de viajantes que podem ser expostos ao
alto risco de infecção por cólera. O cólera é uma doença subestimada e
não pode ser negligenciada em função de sua gravidade potencial.
Quando agendamos um passeio ou uma viagem, as primeiras providências
tomadas são o preparo das malas, a revisão do carro, a lista de compras,
passagens (seja de ônibus ou de avião), documentos como passaporte e
visto de entrada para viagens internacionais, entre outras coisas, tudo
para prever e evitar ao máximo os problemas. A vacinação também é um
meio de prevenção de problemas. As vacinas proporcionam proteção contra
doenças que podem trazer aborrecimentos, gastos com tratamentos
(remédios) e despesas médicas inesperadas durante as viagens ou mesmo no
dia-a-dia. A partir de hoje, quando pensar em viagens e passeios,
lembre-se de verificar também se está com as vacinas e reforços em dia e
evite dores de cabeça em momentos que devem ser apenas de diversão.
Para maiores informações, o departamento médico da Sanofi Pasteur
disponibiliza o Serviço de Informação sobre Vacinação (SIV), cujo
telefone é 0800 148480, com atendimento de segunda a sexta-feira das 9
às 17 horas. A população pode contar com a ajuda do Disque Saúde (0800
611997). As vacinas podem ser administradas em clínicas especializadas
em vacinação e/ou em postos de saúde.
Fonte:
vacinavoce |