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RISCOS DO TRABALHO NOTURNO
Estudo da FSP alerta
para as implicações que o trabalho noturno traz para a qualidade do
sono, o bem estar e o nível de fadiga de profissionais de enfermagem.
Erros com pacientes hospitalizados podem estar
relacionados ao cansaço das enfermeiras
A vida
dos pacientes hospitalizados está associada à qualidade dos serviços
prestados pelos profissionais da saúde. A administração de medicamentos,
um procedimento básico da enfermagem, exige um estado de muita atenção e
erros cometidos podem trazer conseqüências irreversíveis para os
pacientes, podendo levá-los até mesmo a morte. Uma pesquisa realizada na
Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP com enfermeiros do complexo do
Hospital da Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP trouxe à tona
dados que servem de alerta. No estudo, foi possível identificar o nível
de fadiga dos profissionais, a perda da capacidade para o trabalho e
distúrbios de sono relacionado ao serviço noturno. O estudo foi
apresentado em junho deste ano pelo biólogo Flávio Notarnicola Silva
Borges sob o título Repercussões do trabalho em turnos noturnos de 12
horas no sono e bem estar em auxiliares de enfermagem e enfermeiros. A
pesquisa foi feita entre 2000 e 2001, com auxiliares de enfermagem com
idade entre 37 e 50 anos que trabalhavam no Instituto do Coração (Incor)
e no Instituto de Ortopedia (IOT) do HC em turnos fixos noturnos de 12
horas, seguidas por 36 horas de descanso. As atividades diárias das
auxiliares eram monitoradas por um actígrafo, aparelho colocado no
braço, semelhante a um relógio de pulso. Além
desse aparelho, as enfermeiras responderam alguns questionários que
avaliavam o índice de capacidade para a função exercida, o nível de
fadiga e o bem estar dentro e fora do hospital. Foi feito também
diariamente um estudo preliminar de sono das entrevistadas. "Nesse
questionário elas relataram o que faziam, quando dormiam e a qualidade
de seu sono", conta Borges. Durante a jornada de trabalho, elas
informaram de três em três horas o quanto elas estavam alertas nas 12
horas em que lidavam com os pacientes. De
acordo com o pesquisador, os resultados foram preocupantes. O nível de
alerta caia significativamente de uma medição para outra entre todas as
funcionárias. A fadiga foi verificada em 20% da população analisada,
item que esteve relacionado com a perda na capacidade de trabalho.
Quanto mais a pessoa apresentava fadiga menos capacidade para o trabalho
ela apresentava. "A
análise destas variáveis é valiosa porque na questão da fadiga estão
incluídos problemas como a falta de concentração e de memória à curto
prazo, dores de cabeça e no corpo e aumenta da tensão", explica Borges.
O pesquisador disse ainda que esses resultados foram mais acentuados nos
profissionais com menos de 40 anos. "Isso se justifica porque os mais
velhos, provavelmente, estão adaptados ao trabalho", observa.
Qualidade do sono Ao
analisar o sono das auxiliares de enfermagem, verificou-se que nos dias
de folga, o sono noturno era de melhor qualidade. O de pior qualidade
foi o sono diurno, anterior à noite que elas tinham de ir para o
hospital. Foram detectados alguns distúrbios. "Os ciclos biológicos que
podem ser traduzidos pela pressão arterial e temperatura do corpo se
alternam, subindo e descendo durante as 24 horas do dia: durante o sono
descem, ao acordar sobem, após o almoço caem e em seguida sobem
novamente", descreve Borges. "Quem trabalha no período noturno apresenta
uma tendência no achatamento das curvas de alternância", descreve.
A
pesquisa também mostrou outros dados significativos como queixa de
depressão leve (30%) e depressão severa (10%), dores musculares
esqueléticas e excesso de trabalho doméstico.
Segundo
o pesquisador, os maiores problemas com relação a erros na enfermagem,
como a troca de medicamentos, acontecem no período noturno. "A jornada
de trabalho das auxiliares de enfermagem é longa demais e isso colabora
para elevar as chances de erros", considera.
(Ivanir Ferreira)
Fonte: USP
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